Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

Sobre "swag", "yuccies" e parvoíces do género

   

Aviso: este post viola a integridade da língua portuguesa e pode deixar sequelas neurológicas irreversíveis.

 

Já devem ter ouvido falar do swag. Pelo que pude concluir, corresponde ao que no meu tempo de adolescente chamávamos dread (pronunciava-se "dréd") e creio que se aplica a:

 
- putos com a mania que são estilosos

- jovens adultos de classes sociais desfavorecidas

- talvez qualquer pessoa que use um boné, mas se refira a ele como “cap”? 

 
Como se o swag não bastasse, um tal David Infante criou um termo, aplicável a um grupo distinto de indivíduos. Estamos a falar dos yuccies, os “jovens criativos que querem ficar ricos a fazer o que gostam”.

   

Espetacular! Quase ficava impressionada com esta descrição, não fosse o caso de ter uma pequenina falha. É que…

 

Esse é o desejo de todos os jovens!!!

 

(Já agora, yuccie parece-me um nome fofo para um cão, quase tão bom como yuppie.)

 

yuccies.png

 
Outra pérola lida na notícia do DN: “Definimo-nos por aquilo que compramos.” Também quase fiquei impressionada com esta filosofia de vida. Acho que pussies materialistas seria um termo mais adequado para esta gente, mas não passa da minha opinião.

  
Aqui vai um desabafo: hipsters, yuppies, yuccies, swaggers, dodots, oreos, bananas, guardanapos, microondas… Rotulem-se como quiserem, mas ficam já a saber que ninguém com preocupações reais está interessado nessas tretas. E acreditem que Camões não ficaria orgulhoso do caminho que a nossa língua está a trilhar. Sim, o mesmo Camões que deu origem ao feriado de anteontem.

  
(Para quem está a pensar criar mais termos assassinos do nosso idioma - e também da nossa paciência -, deixo aqui um link que pode resolver esse excesso de tempo.)

      

publicado por BataeBatom às 16:03
link do post | comentar | favorito (12)
28 comentários:
De Joana Pires a 13 de Junho de 2015 às 11:36
O mal é que nem todos os portugueses sabem quem foi Camões. Conheço até quem não soubesse que dia 10 de Junho era feriado e porquê. Mas não é caso único e por isso é que estas questões são preocupantes: http://videos.sapo.pt/DF3tlogHDlqhDB0J0pdG
Beijinho!
De Anónimo a 13 de Junho de 2015 às 16:06
Nem sei o que te diga, Dora, o assunto fala por si e revela tudo o que pode dizer.....
(dizia alguma coisa?)
Quando as pessoas estão mais preocupadas em identificar-se com um estado "social" (não sei se é assim que deveria dizer) em vez de de facto estar a fazer alguma coisa para o "merecer" e ainda por cima ser algo tão restrito....
Bem, estou sem palavras...

bj,
xico
De camellia a 13 de Junho de 2015 às 20:15
Felizmente esses termos sempre me passaram ao lado, não entendo a necessidade de estarem sempre a inventar nomes para isto ou para aquilo! Ainda por cima nomes , que tal como tu dizes, parecem dedicados ao cão ou ao gato!
De Receitas fáceis rápidas e saborosas a 13 de Junho de 2015 às 23:47
Adorei o teu post muito divertido gostei do :"swaggers, dodots, oreos, bananas, guardanapos, microondas… " Lol
Muito bom
Bjs
Ãna
http://receitasfaceisrapidasesaborosas.pt/
De marrocoseodestino a 14 de Junho de 2015 às 06:44
Ainda bem que escreveste o post, digo-te que me sinto mais culta. Sim por vezes lia algumas palavras (palavras? acho que não se pode chamar palavras a um monte de letras sem sentido) e não percebia nada.
Acabei de ler uma reportagem no correio da manhã e estou impressionada... "usar as marcas que estão na moda" e "na nossa escola quem tem swag é bem-vindo". Deduzo que os outros sejam excluídos.
Belo futuro destes adolescentes.
De Polittikus a 14 de Junho de 2015 às 10:45
Pensei que fosse o nome de um cão... esta nova onda dos putos quererem ganhar fortunas co os videos no you tube ou a jogar psp. Manias...
De Aerdna a 14 de Junho de 2015 às 10:56
Primeiro parabéns! A sua forma sempre tão descontraída de escrever, torna a leitura muito fácil.
Tropecei no seu post, e fez-me reflectir. Os jovens sempre tiveram esta necessidade de rótulos. Levo mais de 30 anos e isto já acontecia, no meu tempo de adolescente (os betos, os dread, os totós, as pipis, etc…). A explicação talvez se encontre, na necessidade de identificação tão própria da adolescência e de algumas/muitas falhas na educação.
O que acontece nos dias que correm, e talvez devido à facilidade que as redes socias proporcionam é que a coisa espalha-se rapidamente e com contornos de filosofia de vida. Os adolescentes são pessoas em formação, e estas ideias têm falhas graves que deviam e devem ser corregidas pelos mais experientes e maduros. Acontece, que as redes sociais aproximam o longe e afastam o contacto humano, que é tão importante na passagem de boas mensagens. Não é a mesma coisa, ler um ou dois textos e reflectir sobre eles, ou ler um ou dois textos e falar com o outro, olhos nos olhos sobre ele.
Este é para mim o grande problema: não existe troca de experiências. Na net procura-se só o que nos agrada e falta o contraponto dado pela opinião de outros que já viveram determinada situação e que acabamos por ignorar quando nos cruzamos com ela virtualmente. Isto leva a ideias de que só alguns sonham e outros disparates que depois apelidam com nomes “estrangeiros”.
Pessoalmente, sinto alguma ironia, porque vejo os jovens do meu país a querer internacionalizar a língua portuguesa, vejo o governo a descaracterizá-la ainda não entendi muito bem o motivo, e eu que vivo fora da fronteira portuguesa faço todos os dias um esforço para a manter viva tanto em mim, como no meu filho (que passa pelo processo de aprender a falar, ler e escrever dois idiomas, fora todos os outros desafios próprios da idade: vida de criança não é fácil).
Mas mais do que a descaracterização da língua, preocupa-me esta necessidade de rótulos que atinge também os mais adultos. A mania de se não gastas metade do ordenado em cosmética e sapatos então não tens direito ao rótulo de feminina, homem sem veículo motorizado não é digno de tal rótulo, e o pior com que me cruzei nos últimos tempos: mulher que não passa pelo parto normal não é mãe. Esta é de uma estupidez tão grande que me assusta: quem é que disse a esta gente que ser mãe é o momento do parto? Se forem nessa cantiga, para a maternidade garanto-lhes que vão apanhar a lição da vida delas: Mãe é para sempre, e não tem direito de desistência. Como diz a Agata “podem ficar com a casa, com as jóias, mas não ficas com ele…”, pois é de um filho não se desiste.
O problema é que se está a espalhar a cultura do erro. Erros todos cometem, mas o correcto é corrigi-los. O que acontece é que parece que cometer erros e subi-los à net como trofeus virou moda. Então toda a gente, passou a aceitar o erro e esquecer que ele precisa de uma correcção: “Ah! Eu conduzo mal, que “cool” que eu sou”. “Ah! Eu sou uma mãe desleixada, que “anormal” que eu sou.” Pois até podem ser tudo isso, mas se têm um mínimo de massa cinzenta a funcionar então procurem corrigir. É que esta atitude perante o erro dos supostamente mais adultos, e a necessidade de identificação dos jovens é uma bomba que vai rebentar num futuro muito próximo. Digo eu! Boa semana!
De Isa a 14 de Junho de 2015 às 13:56
Também voto em "pussies materialistas", acho que é mais adequado. Fui saltando de link em link a partir desse que deixaste para o DN e encontrei uma lista engraçada. Estou a pensar esmiuçá-la :)
De Coisas a 14 de Junho de 2015 às 16:40
Sim, porque todos os jovens de classe social desfavorecida são dread's. E os de classe social alta são betos. É isso. Clap clap
De Ana a 14 de Junho de 2015 às 23:01
LOL. Jovens que querem ficar ricos a fazer o que gostam. Também eu. Que coincidência

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