Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015

Quase a chegar ao tanque dos tubarões

   

Não me refiro ao programa dos investidores, mas sim ao que me espera no fim do curso. Por enquanto, estou sossegadinha no meu canto, mas assisto aos ataques que um dia também virei a sofrer.

 

Realmente, como é que os médicos acham que têm direito a folgas e férias? Não têm olhos na cara? Desde quando acham que podem ter família?


E depois, sem neurocirurgiões de serviço, acontece o que aconteceu. Realmente, como é que há quem se indigne por trabalhar fora do seu horário laboral?!


O SNS está fantástico, tudo bem organizado, médicos contratados em quantidade suficiente, pagos em quantidade mais do que suficiente…… Oh, oh, e depois os senhores doutores não querem trabalhar!


Médicos. É que não há paciência para esses ranhosos… E quando vão comer ou vão à casa de banho e os doentes estão na sala de espera!


Olha, ali vai a dótora, vai passear e nós aqui à espera!


Pois, claro, os médicos deviam usar fralda.

 

Compreendo a parte de quem espera, claro que compreendo. Sou mais utente do que médica, também tenho problemas, também fico com o rabo quadrado à conta das cadeiras das salas de espera. E, sim, imagino o desespero, a frustração, o desabar do mundo dos familiares do rapaz que poderia ter sido salvo.


Mas algum dia tinha de acontecer algo grave, para abrirem os olhos. Seria justo obrigar alguém a trabalhar mais do que é aceitável por estar sob chantagem implícita?

 

Se não vais trabalhar, morre alguém......

Queres que morra alguém? Queres, queres??

 

Posso dizer que, desta "fornada", sairá uma médica convicta dos seus deveres, mas também dos seus direitos. E não abdicarei da minha vida para salvar o mundo com mais dois ou três escravos, enquanto os superiores ficam a tomar decisões enviesadas.

 

Se os médicos falham é sobretudo em quantidade. E isso não depende deles. Na realidade, estão entre a espada - o povo que vomita comentários incultos por aí – e a parede – o SNS.

   

publicado por BataeBatom às 18:15
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19 comentários:
De Inês a 23 de Dezembro de 2015 às 18:57
Concordo com tudo. Mas, como em todas as profissões, também há médicos incompetentes...não é só em quantidade que esses falham...acho que não se pode colocar tudo no mesmo saco. Não seria justo para os médicos que realmente salvam vidas, nem para aqueles que só querem essa profissão porque é bem remunerada.

Feliz Natal
De BataeBatom a 23 de Dezembro de 2015 às 19:54
Exato, já se sabe que em todas as classes há melhores e piores profissionais. No entanto, há que criticar cada caso com moderação e conhecimento do assunto, para não se correrem riscos de culpabilizar um profissional ou a sua classe de forma injusta.

Publiquei este desabafo, num espaço que normalmente é bastante pacífico, pois concluí - através de vários comentários nas notícias -, que os médicos estão a ser incrivelmente criticados. E criticados por quem não sabe nada do assunto...

Desabafos feitos, agora é época de alegria e pensamentos de esperança!!! Boas festas, Inês!
De Just_Smile a 23 de Dezembro de 2015 às 19:03
O problema aqui não é, definitivamente, os médicos mas sim o país que temos que não dá condições a seja quem for... O problema é o nosso país deixar de se preocupar connosco...
De BataeBatom a 23 de Dezembro de 2015 às 19:58
É verdade, Just. E isso reflete-se em todas as áreas...
Vamos esperar (ingenuamente) que 2016 nos traga mudanças favoráveis!
Boas festas! Beijinho
De Just_Smile a 23 de Dezembro de 2015 às 20:55
Vamos acreditar que o Pai Natal nos vai ajudar nisso :)
Beijinhos e Bom Natal :D
De Jess a 23 de Dezembro de 2015 às 20:07
Trabalhando na área da saúde sei o que é encontrar pessoas pouco compreensíveis e que acham serem os únicos doentes que existem no mundo, e que todo o nosso tempo deve ser-lhes consagrado!
No entanto, esta situação chocou-me. Não pelos médicos recusarem-se a trabalhar em determinadas condições (o que lhes é legítimo), mas sim por não conseguir perceber o porquê de não terem transferido este jovem de 29 anos para outro hospital onde pudesse ser operado, visto ser um caso urgente. Deixaram o tempo passar, sabendo que o seu estado se agravaria... não consigo compreender.
Trabalho num serviço de geriatria, e apesar das idades avançadas, conseguimos salvar vidas. E é isso que me custa neste caso... não terem feito o máximo possível por esta vida tão jovem!
De BataeBatom a 23 de Dezembro de 2015 às 20:34
Também não faço ideia porque não o fizeram, Jess... (Ainda) Não estou dentro do assunto, não sei como se processa a transferência dos doentes. Mas que devia ser rápida, devia, claro. Como concordo contigo!...

O Bastonário da Ordem dos Médicos divulgou que não se trata da rejeição de trabalho pelos médicos. Mesmo com eles lá, seria necessária toda uma equipa, que não existia durante o fim de semana, para realizar a cirurgia. Sozinhos não iriam fazer nada...

É algo chocante, também fiquei muito sensibilizada, mas escrevi este post em resposta à frustração que senti ao ler muitos comentários criticando os médicos (neste caso em específico e no geral).

Beijinhos e boas festas!
De Magda L Pais a 23 de Dezembro de 2015 às 21:01
A única critica que aqui faço aos médicos é que, a ser transferido, que o fosse para um hospital que tivesse neurocirurgiões na escala.
Se bem que, BB, não duvido que, se tivessem ligado a um neurocirurgião (e ele tivesse atendido) e lhe explicassem o caso, ele(a) teria ido fazer a operação ou, pelo menos, avaliar o caso.
mas volto a dizer, para mim, o problema maior - neste caso - foi ter sido reencaminhado para um hospital sem neurocirurgião de banco
De BataeBatom a 9 de Janeiro de 2016 às 22:39
Pois, também não sei porque não foi transferido. Quero acreditar que foram problemas burocráticos ou que a mobilização do doente seria arriscada naquele estado. Mas não sei e espero que o caso seja resolvido com justiça, para bem da família (que não deveria ter de passar por isto...).

O meu post foi um mero desabafo por sentir que a comunicação social mete os médicos todos no mesmo saco e faz notícias a torto e a direito sem devido conhecimento de causa. E os comentários às notícias.... é melhor nem falar nisso! xD

Por exemplo: Há dias, andava por aí a circular que médicos recebiam X e Y, quando eu sei de fonte segura que - se os valores não BAIXAREM até lá - ando a estudar 6 anos, trabalharei em datas festivas, funções de grande responsabilidade... Para um salário de 1200€. (Um valor "congelado" assim durante muuuitos anos.) Por isso, os valores mais elevados ficam para o privado. E falar de rendimentos no privado em medicina é tão justo como dizer que um professor ganha 6000€/mês por dar uma imensidão de explicações em horário extra-aulas! :P

(Desculpa o testamento... Quis exprimir-me o melhor possível e acabei fazer este comentáriozão xD)
De As Nossas Voltas a 23 de Dezembro de 2015 às 21:01
Uma tragédia que talvez pudesse ter sido evitada! Estou incrédula com esta situação...
De BataeBatom a 9 de Janeiro de 2016 às 22:39
Sim, é impossível não ficarmos chocados... :(
Bom domingo!
De A rapariga do autocarro a 24 de Dezembro de 2015 às 12:49
Eu cá em Lisboa não me posso queixar, sempre fui super bem atendida, quer seja no público ou no privado, mas em Pombal já a história é outra! Tenho sérias queixas da médica de família dos meus pais. A minha mãe foi lá 3 vezes, e nessas três vezes reclamou com a minha mãe porque dizia que não tinha nada! ! Quando entrou no Hospital estava com uma pneumonia gravíssima. Por isso tanto nos médicos como com os bófias há bons e péssimos! Boas Festas
De BataeBatom a 9 de Janeiro de 2016 às 22:40
Exato! :/ bem, espero que se vier a trabalhar em Pombal o feedback dos doentes seja diferente!
Beijinho e bom ano :)
De Paulo Vasco Pereira a 24 de Dezembro de 2015 às 14:18
Eu adorei o teu comentário a um post destacado pelo Sapo. Tentei comentar mas, ao publicar, a autora não aceitava comentários de autores não registados no Sapo Blogs! Estou registado mas como responsável pelo Departamento de Educação Especial da minha Escola, mais especificamente pelo blogue Um Só Mundo. Como tal, emitir uma opinião não seria correto
Mas gostava que arranjasses forma de transcrever as palavras que por lá deixaste aqui. Isto porque, para aqueles que têm mais dificuldade em entender este teu sentido de humor inteligente ou escrita elaborada (não considero escrita elaborada aquela que é cheia de "palavrões" caros e sem conteúdo), o que por lá teceste é bem claro. Logo me fez pensar: se não são os médicos são os professores, se não são os professores são os médicos. Deixaste ainda a descoberto aquele lado dos media. O que se faz para vender jornais, dar mais tempo de antena nas tv e... não informar. Olha se este fosse um caso que, como bem sabes, tantos há, infelizmente, há semelhança do que sucedeu com o meu pai, em que decidem "assassinar" o doente já com sentença de morte... E mesmo nestes casos, bem sei, não posso dizer "médicos" mas um "tipo de médicos".

Um beijo.
Boas festas para ti e para os teus.

https://flic.kr/p/CrBMvY
De BataeBatom a 9 de Janeiro de 2016 às 22:43
Obrigada, Paulo! Espero que também tenhas tido boas festas e que este ano traga grandes momentos :)

Fico agradecida pelo apoio e compreensão! O erro é realmente pôr uma determinada classe de profissionais toda no mesmo "saco"... Por agora, não voltarei a falar do assunto, que já foi sendo bastante debatido... Mas se outras oportunidades surgirem, tentarei exprimir-me como nos tais comentários ao post destacado!

Beijinho e bom domingo! :D
De pimentaeouro a 24 de Dezembro de 2015 às 18:58
País pobre, e pior, mal governado não dá para ter tudo.
Acho complicado que o S. José possa ter uma equipa de neurocirurgia aos fins de semana.
Desejo-lhe um Bom Natal.
De BataeBatom a 9 de Janeiro de 2016 às 22:50
Não estou dentro do funcionamento destes hospitais, mas vamos esperar que medidas sejam tomadas (mal seja que um caso destes não tenha servido para abrir os olhos.....). Ontem foi aquele rapaz, amanhã podemos ser nós...

Espero sinceramente que 2016 seja um ano de melhorias na saúde da sua esposa! Bom domingo.
De Alexandra a 27 de Dezembro de 2015 às 01:35
O que aconteceu foi uma grande tragédia (ou várias, já que houve mais casos), mas não podemos culpar os médicos. Esse é o caminho mais fácil, mas a culpa está muito acima deles. Como qualquer pessoa têm direito aos seus tempos de descanso e se são insuficientes ou nos hospitais não sabem fazer escalas, a culpa não é deles.
Nós, cidadãos, como possíveis vítimas, não podemos perder o foco, temos que exigir responsabilidades de quem realmente as tem.
De BataeBatom a 9 de Janeiro de 2016 às 22:54
Pois, também acho... Que este caso seja apurado e a justiça vença. E que, mesmo perante casos de incompetência de um profissional, não se julgue toda a sua classe...
Beijinho e bom domingo!

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