Sexta-feira, 4 de Setembro de 2015

No desconforto da areia

   

O mar está gelado. O dia é frio. Ou então é quente. Há nuvens, que chatice. Ou então não há nuvens e está um dia de sol que não se aguenta. Raios. Estás pouco bronzeado. Ena pá, apanhaste um escaldão. A areia queima os pés. E mete-se em todo o lado. No saco. No carro. Talvez até no telemóvel. Porra, areias.

 

E são estes os principais queixumes de quem frequenta praias…

Até ao dia em que chega à areia um miúdo morto.

 
“Naufrágio da humanidade”, chamam-lhe. Surgem as chocantes capas de jornais e os cartoons certeiros. Mas não surge a paz. E pouco nos adianta desejar que os monstros responsáveis por isto se engasguem com o foie gras ou o champanhe ao ver as notícias, que criaturas com tamanha insensibilidade não têm consciência de nada para além dos seus macabros objetivos.

 

Afirma-se que o mundo é uma aldeia, porém as fronteiras são, na verdade, implacáveis. Tentam deitar areia para os nossos olhos, onde elas nos causam mais desconforto.

 

publicado por BataeBatom às 21:18
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9 comentários:
De José da Xã a 4 de Setembro de 2015 às 21:42
BB,

curiosamente também já falei deste tema no meu blogue, acima de tudo pela hipocrisia demonstrada por alguns países ditos desenvolvidos.
E há sempre aquela pergunta a bailar-me: quantas crianças terão de morrer até que haja paz no mundo?
Ah esqueci-me que a industria do armamento é a que mais dinheiro envolve.
Desculpa, um mero detalhe!
De Gi a 5 de Setembro de 2015 às 09:19
Já vi vários textos em blogues sobre este tema e a cada novo texto o meu coração derrete-se mais por esta criança, cuja vida foi levada de uma maneira horrível. Esta criança que poderia ser qualquer um de nós e que não teve culpa alguma de ter nascido no país errado.
De marrocoseodestino a 5 de Setembro de 2015 às 09:41
Este ainda é o tema do momento, mas com tantas imagens diariamente mostradas na TV acredito que entretanto a grande maioria das pessoas deixe de ter interesse. Afinal as pessoas saturam-se rapidamente.
São chocantes as imagens, ninguém poderá dizer que nunca vai estar naquela situação, mas fiquei tão dividida quando li a noticia que vários refugiados mandaram ao mar 12 refugiados apenas porque eram cristãos. Fez-me pensar se estas pessoas irão aceitar e respeitar as nossas regras, as nossa religião, a nossa cultura.
Bom fim de semana
De Paulo Vasco Pereira a 5 de Setembro de 2015 às 14:18
E há quem fique totalmente insensível a esta realidade.
Areia no cérebro?
Só pode.
De Joana Freitas a 6 de Setembro de 2015 às 22:58
Infelizmente este é o pão nosso de cada dia...
De Magda L Pais a 7 de Setembro de 2015 às 11:27
não sendo insensível à questão... também não consigo apoiar totalmente o abrigo dado aos migrantes
De Corvo a 7 de Setembro de 2015 às 11:51
Vai passar! Um menino afogado aqui, um milhão escravizado ali, dois milhões violados além, dez milhões mortos de fome acolá, e por ai adiante.
Vai passar.
De Fui Eu a 7 de Setembro de 2015 às 17:47
Infelizmente é como está o mundo! Mau, muito mau!
Já li e reli os vários motivos que levam estes Pais a submeter os filhos a este tipo de fim... Continuo sem entender...
As mentalidades Oriente/Ocidente são completamente diferentes.
Numa situação destas que não consigo imaginar, não consigo mesmo, mas nunca, nunca colocaria um filho numa situação daquelas sem colete salva vidas! NUNCA.
Fugir da morte para morrer...
Um horror!
O mais simples dos atos : Um colete salva vidas!
Continuo a insistir que, se tiveram dinheiro para fazer a travessia também tinham dinheiro para comprar um colete salva vidas. Acho que houve muita negligência.
Quem no seu perfeito juízo acredita que a travessia se faria em 5 minutos? Mas infelizmente foi nestas palavras que o Pai das crianças se acreditou!
De Miguel Alexandre Pereira a 8 de Setembro de 2015 às 11:55
É uma imagem que parte o coração de qualquer um, custa só de olhar para a foto =\

http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/

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